I – APRESENTAÇÃO

 

II - JUSTIFICATIVA

 

III - OBJETIVOS

 

IV - DESENVOLVIMENTO

Introdução: Pequeno truques, grandes prejuízos

Muitos professores para ensinar ortografia na escola utilizam como estratégia pedagógica a descrição e a classificação de palavras isoladas. Dessa maneira, toda a ação é concentrada no reconhecimento de dígrafos, encontros vocálicos e consonantais em exercícios que primam pelo treinamento e cópia de palavras. Quando essas atividades são dadas, o professor acredita estar ensinando ortografia, mas seu efeito não vem sendo nada satisfatório. A grande maioria dos alunos apenas memoriza as instruções, formulando algumas noções ortográficas de forma passiva e mecânica, sem, no entanto compreender, de fato, o sentido das atividades propostas.

Promover o estudo da ortografia é muito mais do que ensinar um conjunto de regras que visam à descrição da língua de acordo com a norma-padrão. As tarefas voltadas para a compreensão da ortografia devem ser, antes de tudo, atividades de reflexão sobre a língua em suas duas modalidades: escrita e falada. É no estudo sobre as relações entre o "como se fala" e o "como se escreve" que o aluno percebe as diferenças entre os dois códigos, compreende as convenções do registro escrito. Como você viu na aula anterior, a escrita nunca será espelho da fala. Cabe à escola explicitar e discutir tais diferenças. Qualquer tentativa de ensino, baseada na memorização de um conjunto de regras, sem uma reflexão mais ampla acerca do funcionamento da linguagem verbal resultará em empobrecimento do ensino ortográfico.

Todo mundo já viu em programas humorísticos, a história do sujeito que recebe algumas instruções ligeiras para se dar bem em uma dada situação e acaba por cometer uma série de deslizes, pois as informações dadas são insuficientes para serem aplicadas em um contexto real. Essa cena é bastante recorrente em algumas práticas escolares que para ensinar ortografia, artificializam a linguagem verbal e utilizam métodos de ensino ortodoxos. Alguns professores, por exemplo, apresentam uma série de macetes para os alunos se apropriarem de conhecimentos ortográficos. O resultado, no entanto, é catastrófico.

"Conta-se que um menino pobre, criado num contexto pobre, foi para a escola e com freqüência dizia 'cabeu' no correr de suas conversas. A professora preocupada o corrigia dizendo: 'não é cabeu, é coube!' O menino repetia 'coube', mas logo em seguida se distraía e vinha novamente com 'coube'. Após certo número de tentativas infrutíferas para corrigir o aluno, a professora o chamou, entregou uma folha de papel e disse: 'Agora vamos ver se você aprende de uma vez por todas. Enquanto os outros vão para o recreio, você fica em sala e escreve cem vezes coube nesta folha'. O aluno muito contrariado, começou a escrever. Após certo tempo, havia preenchido a página toda com coube, coube, coube... Entregou para a professora e essa, desconfiada, contou quantas vezes o aluno havia escrito. Foram apenas 98. Reclamou, então: 'Eu não mandei você escrever 100 vezes? Você está querendo me enganar? Aqui só tem 98.' O aluno, na maior simplicidade se justificou; 'É que não cabeu na folha, professora'." (MORETTO, 2001, p. 69)

 

Um dos equívocos cometidos pela escola é tratar o registro lingüístico que o aluno traz de casa como um empecilho ao ensino da ortografia. Forçar o aluno a falar como escreve não o ajudará a compreender o funcionamento da escrita. Muitos erros de ortografia são decorrentes das concepções tradicionais de alfabetização que lidam com o processo de transcrição dos sons da fala como se a língua fosse uma entidade homogênea ditada pelos rigores da Gramática.

Quando as crianças omitem letras

Nossa discussão se aprofunda em torno da omissão de letras na fase inicial da aprendizagem da escrita. Quando falamos mais rápido suprimimos alguns fonemas e nem percebemos a sua falta, mas na hora de escrever tal aspecto lingüístico é algo que se torna visível. Ensinar a ler e a escrever envolve uma percepção maior sobre os motivos que levam o aluno a omitir sílabas e letras em sua produção gráfica. Podemos afirmar que a omissão de letras decorre de uma série de fatores relacionados à pronúncia das palavras e ao tratamento pedagógico dado pela escola a este fenômeno. Destacamos alguns fatores responsáveis pela supressão de letras no início do processo alfabetizador:

• A correspondência sonora parcial entre a variedade lingüística empregada pelo usuário com o registro de prestígio social é uma das causas da omissão de letras. Em certas áreas rurais, os usuários da Língua Portuguesa monotongam os ditongos. No lugar de banheiro, falou, tesouro, ocorre a supressão da última vogal que compõe o ditongo (banhero, falô, tesoro). Evidenciam-se, também, outros dois fenômenos: a supressão das sílabas pretônicas como no caso das palavras: está, espera e você (tá, pera, cê) e a eliminação do "d" nos verbos que se apresentam no gerúndio tais como cantando, falando e amando (cantanu, falanu, amanu). Como o aluno ainda não estabeleceu uma distinção clara entre o discurso oral e o discurso escrito, acaba por suprimir sílabas em sua representação gráfica.

• O desconhecimento do uso de algumas letras e sua representação sonora, em certos contextos gráficos, pode levar o aluno a suprimir um determinado elemento gráfico. Tal fenômeno acontece no uso dos encontros consonantais gr, br, vr, tr, gl, bl, tl. Grafa-se, com supressão de letras, bincar, livo, gande, panta no lugar de brincar, livro, grande e planta.

• A percepção reduzida das regularidades ortográficas presentes em nosso sistema inibe o uso do 'r' em verbos escritos no infinitivo. Tal fenômeno pode levar a transcrição das palavras cantar, amar e levar por cantá, amá e levá. O mesmo acontece com o uso do "s" como marca de plural. Na frase "As canetas amarelas estão nas mesas", encontram-se registros do tipo: "As caneta amarela estão nas mesa".

Além de fatores relacionados à consciência fonológica no início do processo de alfabetização, o aluno esbarra em dificuldades provenientes das propostas alfabetizadoras que reforçam a silabação. De acordo com pesquisas realizadas por Zorzi (2003) os índices de omissão de letras na produção de textos dos alunos das séries iniciais estão relacionados aos métodos de alfabetizadores que costumam trabalhar com um padrão de escrita determinado por uma seqüência C (consoante) V (vogal). Observa-se, no esquema alfabetizador tradicional, uma forte tendência de expor palavras regidas por um padrão ordenado em consoantes e vogais de forma alternada.

A BONECA É BONITA.

C CVCVCV V CVCVCV

 

O padrão silábico (CV) pode levar os alunos a se habituarem a escrever sob uma orientação simplificadora do sistema de escrita. Dessa forma, institui-se a crença de que todas as palavras se estruturariam de uma única forma.

Seguindo esse raciocínio, é possível afirmar que a supressão de letras, na escrita das crianças, tem a ver com a concepção de ensino que parte da exposição de sílabas simples para, mais tarde, apresentar as complexas. Aos olhos de Zorzi, essa perspectiva parece ser algo danoso ao domínio ortográfico, já que o modelo de escrita é determinado predominantemente por um modelo silábico (CV). A partir de tal constatação, este autor identificou três tipos de omissões de letras bastante freqüentes:

omissão de m e n em posição final (marcador de nasalidade): esqev?do, ficarã, presetes, ganharu.

omissão de vogais em encontros vocálicos: janero, to, vô, sadade, bejo.

omissão de sílabas completas: to, ce, mia.

Para analisarmos essas ocorrências, leiamos a carta que Margarida enviou para a sua avó, observando as supressões de letras em seu texto.

Niterói, 26 de janero de 2005.

Querida Vovó, tô eqev?do esa carta pro ce porque eu vô em nosa cidade e eu vô te vizitar. Tô com sadade de ocê. Mia mana se caso com o João na semana pasada. Todos ficarã felizes, pos eles ganharu presetes. Bejo de sua neta. Margarida

Notamos que Margarida, por não dominar completamente o código escrito e, por se apoiar no conhecimento advindo da oralidade, escreve as palavras em um padrão silábico regularizado de consoantes e vogais alternadas. As letras omitidas são justamente aquelas que permitirão o aluno manter o padrão mantido pelo método da silabação.

De acordo com Zorzi (2003), as omissões gráficas não são aleatórias. Cabe ao professor observar a lógica estabelecida para o aluno grafar as palavras. É muito importante que o professor reflita sobre os princípios que direcionam a sua prática pedagógica.

"...Quando a proposta metodológica enfatiza, por tempo prolongado, somente palavras escritas com sílabas formadas regularmente por consoantes e vogais, isto significa estar adiando a apresentação de outras possibilidades de construção silábica, ou seja, a criança não está sendo devidamente introduzida à realidade da escrita. Assim sendo, ela poderá tomar a combinação CV como padrão regular da escrita e, quando tiver que escrever palavras que não correspondem aos modelos aos quais está mais familiarizada, a possibilidade de erros irá aumentar, podendo se manifestar como omissão de letras." (p. 56)

Chamamos atenção para alguns casos de omissão de letras que podem estar relacionados à falta de sincronia entre o ato de pensar uma palavra e grafá-la no momento seguinte. O alfabetizando, por ter pouca experiência no campo da escrita, ainda não desenvolveu procedimentos de controle sobre a sua produção gráfica. Por isso, a importância de se estimular o hábito do aluno revisar os textos no ato de sua produção. O auxílio do professor na atividade de revisão é imprescindível, visto que o aluno se sentirá mais seguro e manterá uma postura reflexiva diante das solicitações proposta pelo professor.

Acréscimo de letras e hipercorreção

Borboleta – borbolheta

Trabalhar – trabralhar

Bandeja – bandeija

Beneficente – benefeciente

A – há

espelho – espelhio

armadilha – armaidilha

queria – querinha

igual - ingual

 

 

O processo de aprendizagem do código escrito, de acordo com as convenções ortográficas, envolve atividades de regulação do uso das letras por parte de quem está aprendendo a escrever. Podemos dizer que o aluno quando começa a adquirir certa consciência dos ditames gramaticais, procura desenvolver alguns mecanismos para se aproximar da grafia correta. Tal procedimento tem a ver com a influência que a escola exerce sobre o aluno no ato de corrigir e lidar com os erros no espaço escolar. Na tentativa de se autocorrigir, o aluno acaba por estabelecer algumas analogias que não condizem com registro padrão. Por exemplo, o aluno acrescenta letras onde não devia, estabelecendo uma relação equivocada na hora de grafar uma determinada palavra. Dizemos que o sujeito generalizou um fato transferindo um determinado conhecimento indevidamente. É o caso da criança que sabe escrever "queridinha". Por acreditar que a palavra "queria" também deve ser composta de "nh" formula a frase "Eu não querinha está neste lugar". É comum, também, as crianças grafarem vocábulos dobrando a letra "r" ou a letra "s" por ainda não terem clareza do contexto em que elas devem ser usadas. Sendo assim, escrevem "ouvirrão", "ararra", " rroda", "paissagem". Nesse caso, a criança ainda não aprendeu que a representação dos sons vinculados às letras "r" e "s" é determinada pela posição da letra no contexto da palavra.

A grande maioria dos casos de acréscimo indevido de letras tem forte vinculação com o mecanismo de hipercorreção. Tal fenômeno ocorre quando o indivíduo tem certa consciência dos condicionamentos ortográficos, mas ainda não sabe usá-los adequadamente. Sendo assim, a transgressão de uma norma é decorrente de uma generalização indevida no plano da fala e/ou no plano da escrita. No plano da escrita, exemplificamos um caso de hipercorreção narrando a situação do sujeito que viu escrito em algum lugar as formas gráficas "há" e "espécie". Sendo assim escreve um bilhete para a sua namorada: "Vou há festa na casa de Rodrigo, por favor, não me esperie".

No plano da oralidade, é só lembrarmos de um personagem interpretado por José Wilker (o bicheiro Giovani Brota da novela Senhora do Destino), que, ao tentar se expressar de acordo com os rigores da gramática, acabava por construir formas lingüísticas estranhas decorrentes de um excesso de correção.

Verbete 

Chamamos hipercorreção ou ultracorreção o fenômeno que decorre de uma hipótese errada que o falante realiza num esforço para ajustar-se à norma padrão. Ao tentar ajustar-se à norma, acaba por cometer um erro. Por exemplo: pronunciar 'previlégio' imaginando que privilégio é errado; pronunciar "bandeija" achando que bandeja é errado. Pronunciar "telha de aranha" achando que teia de aranha é errado. (BORTONI, 2003, p. 28)

Muitos casos de hipercorreção (associado ao acréscimo de letras) são decorrentes de uma correção exagerada por parte do professor. Quando o professor censura o aluno dizendo "Não se fala tesora, se fala tesouura" sem discutir a questão, ele abre brecha para uma assimilação mecânica. O aluno memoriza as afirmações e transfere esSe saber superficial para outras situações, escrevendo "professoura", "espeira", "carinhio". Toda didática fundamentada na artificialização da pronúncia para enfatizar o uso e o som de determinadas letras, acaba por causar danos à aprendizagem da escrita, podendo criar vícios de soletração. Sem falar nas generalizações equivocadas que podem acompanhar o aluno por toda sua vida escolar.

 

Repitam comigo, pronunciando bem as letrinhas de cada palavra.

Tesooouuuura.

innnnteligente.

Ruuuuaaaa...

azuuull...

m ???nntiiiii

 

Ditado

•  professoura

•  inguinorante

•  neunhuma

•  fugiul

•  penti

Buscando as regularidades ortográficas

Constatamos que as dificuldades ortográficas podem ser decorrentes de diversos fatores. Cabe ao professor acompanhar o processo de apropriação da escrita desenvolvido pela criança, auxiliando na compreensão das arbitrariedades que se encontram no sistema ortográfico. Um dos caminhos que pode ajudar o aluno a compreender melhor as convenções gráficas, é leva-lo a perceber as regularidades e irregularidades que existem em nosso sistema de escrita.

Para escrever de acordo com as convenções ortográficas nos valemos, em muitos momentos, de princípios (regras) que delimitam as possibilidades de uso das letras para escrever uma determinada palavra. Por exemplo, se quiséssemos escrever "bombom", "campo", "dente", "cansado", o uso da regra "m" antes de "p" e "b" é acionada. Para grafar adjetivos terminados em OSO deve-se registrá-los com "s" como em: maravilhoso, bondoso e gostoso. Sendo assim, a percepção e a internalização de um conjunto de regras ortográficas nos ajuda a estabelecer a seleção adequada das letras para grafar os vocábulos.

Seria impossível memorizar a maneira correta de escrever todas as palavras apenas por sua visualização e leitura. Por isso, além da memorização, recorremos a todo instante a um conjunto de regras que internalizamos quando estamos nos apropriando das regularidades existentes em nosso sistema de representação gráfica. Mesmo que o aluno nunca tenha visto uma determinada palavra escrita, ele poderá registrar adequadamente se levar em conta as leis que regem e regulam a escrita em seu idioma.

Regra – é um princípio gerativo que serve para coordenar as ações e representações na execução de uma determinada atividade com um dado objetivo. Sua elaboração está fundamentada no estabelecimento de uma determinada lógica ou arbitrariedade a ser cumprida pelos usuários em seu ato de realização. Sendo assim, todas as atividades humanas (jogos, brincadeiras, linguagem verbal e não-verbal) são regidas por um conjunto de regularidades que garantem certa previsibilidade e padronização na execução de tarefas a serem desenvolvidas por sujeitos que objetivam uma ação interativa.

Podemos observar que as regras denotam uma dimensão conservadora, na medida em que suscitam um conjunto de atitudes padronizadas a partir de uma dada perspectiva. Ao mesmo tempo, as regras em sua potencialidade, apresentam certa dinamicidade, visto que os sujeitos no percurso da história podem modificar as leis e acordos, projetando novos critérios e novas condições de execução dos jogos interativos que são estabelecidos socialmente.

Da mesma maneira que encontramos um conjunto de regularidades no sistema escrito que facilita escrever um grupo de palavra, encontramos também formas gráficas que não podem ser justificadas em nenhum tipo de regularidade. Que critério justificaria a escrita de "cebola", "cidade", "sebo" e "situação" com "s" ou com "c"? A única justificativa plausível seria a etimologia da palavra. Neste caso, não há regras que possam apoiar o aprendiz na hora de grafar as palavras mencionadas. Veja outras situações de irregularidades no campo da ortografia.

• Som do G (gigante, jiló)

• Som do Z (asa, zunido, exato)

• Som do X (caixa, charco)

• H inicial (homem, herbáceo)

Como nosso sistema de escrita é constituído de regularidades e irregularidades, torna-se necessário desenvolver dois tipos de atividades: uma voltada para a percepção de aspectos regulares da escrita e outra voltada para o domínio mnemônico do saber ortográfico. Nesse sentido, toda situação de escrita pode ser um momento de reflexão em que o aluno possa exprimir suas hipóteses de como grafar as palavras ortograficamente.

Para que o aluno não erre, é interessante a consulta em fontes confiáveis, nas quais ele possa tirar suas dúvidas. O jornal, o dicionário e o saber ortográfico aprendido do professor, geralmente, são as principais fontes de consulta que o aluno lança mão para maior esclarecimento no campo da ortografia. Veja como os PCN de Língua Portuguesa se remetem para o estudo das regularidades e irregularidades do sistema ortográfico.

Ortografia

"De um modo geral, o ensino da ortografia dá-se por meio da apresentação e repetição verbal de regras, com sentido de 'fórmulas', e da correção que o professor faz de redações e ditados, seguida de uma tarefa onde o aluno copia várias vezes as palavras que escreveu errado. E, apesar do grande investimento feito nesse tipo de atividade, os alunos – se bem que capazes de 'recitar' as regras quando solicitados – continuam a escrever errado.

Ainda que tenha um forte apelo à memória, a aprendizagem da ortografia não é um processo passivo: trata-se de uma construção individual, para a qual a intervenção pedagógica tem muito a contribuir.

É importante que as estratégias didáticas para o ensino da ortografia se articulem em torno de dois eixos básicos:

• O da distinção entre o que é 'produtivo' e o que é 'reprodutivo'1 na notação da ortografia da língua, permitindo no primeiro caso o descobrimento explícito de regras geradoras de notações corretas e, quando não, a consciência de que não há regras que justifiquem as formas corretas fixadas pela norma.

•  a distinção entre palavras de uso freqüente e infreqüente na linguagem escrita impressa.

Em função dessas especificidades, o ensino da ortografia deveria organizar-se de modo a favorecer:

•  a inferência dos princípios de geração da escrita convencional, a partir da explicitação das regularidades do sistema ortográfico (isso é possível utilizando como ponto de partida a exploração ativa e a observação dessas regularidades: é preciso fazer com que os alunos explicitem suas suposições de como se escrevem as palavras, reflitam sobre possíveis alternativas de grafia, comparem com a escrita convencional e tomem progressivamente consciência do funcionamento da ortografia);

•  a tomada de consciência de que existem palavras cuja ortografia não é definida por regras e que exigem, portanto, a consulta a fontes autorizadas e o esforço de memorização.

Os casos em que as regras existem podem ser descritos2 como produzidos por princípios geradores 'biunívocos', 'contextuais' e 'morfológicos'. O princípio gerador biunívoco é o próprio sistema alfabético nas correspondências em que a cada grafema corresponde apenas um fonema e vice-versa. As regras do tipo contextual (ex.: o uso de RR, QU, GU, NH, M/N antes de consoante, etc.) são aquelas em que, apesar de se encontrar no sistema alfabético mais de um grafema para notar o mesmo fonema, a norma restringe os usos daqueles grafemas formulando regras que se aplicam parcial ou universalmente aos contextos em que são usados. E, por fim, as regras do tipo morfológico são as que remetem aos aspectos morfológicos e à categoria gramatical da palavra para poder decidir sua forma ortográfica (ex.: ANDA(R), pensa(r): verbos no infinitivo; FIZE(SS)E, OUVI(SS)E: imperfeito do subjuntivo; PORTUGUE(S)A, INGLE(S)A: adjetivos gentílicos terminados em /eza/; RIQUE(Z)A, POBRE(Z)A: substantivos terminados em /eza/, etc.). É importante observar que a realização desse tipo de trabalho não requer necessariamente a utilização de nomenclatura gramatical.

A aprendizagem da ortografia das palavras irregulares – cuja escrita não se orienta por regularidades da norma – exige, em primeiro lugar, a tomada de consciência de que, nesses casos, não há regras que justifiquem as formas corretas fixadas pela norma e, em segundo lugar, um posicionamento do professor a respeito de quais dessas formas deverão receber um maior investimento no ensino.

A posição que se defende é a de que, independentemente de serem regulares ou irregulares – definidas por regras ou não – as formas ortográficas mais freqüentes na escrita devem ser aprendidas o quanto antes. Não se trata de definir rigidamente um conjunto de palavras a ensinar e desconsiderar todas as outras, mas de tratar diferentemente, por exemplo, a escrita inadequada de 'quando' e de 'questiúncula', de 'hoje' e de 'homilia' – dada a enorme diferenciação da freqüência de uso de umas e outras. É preciso que se diferencie o que deve estar automatizado o mais cedo possível para liberar a atenção do aluno para outros aspectos da escrita e o que pode ser objeto de consulta ao dicionário.

A consulta ao dicionário pressupõe conhecimento sobre as convenções da escrita e sobre as do próprio portador: além de saber que as palavras estão organizadas segundo a ordem alfabética (não só das letras iniciais, mas também das seguintes), é preciso saber, por exemplo, que os verbos não aparecem flexionados, que o significado da palavra procurada é um critério para verificar se determinada escrita se refere realmente a ela, etc. Assim, o manejo do dicionário precisa ser orientado, pois requer a aprendizagem de procedimentos bastante complexos.

O trabalho com a normatização ortográfica deve estar contextualizado, basicamente, em situações em que os alunos tenham razões para escrever corretamente, em que a legibilidade seja fundamental porque existem leitores de fato para a escrita que produzem. Deve estar voltado para o desenvolvimento de uma atitude crítica em relação à própria escrita, ou seja, de preocupação com a adequação e correção dos textos. No entanto, diferentemente de outros aspectos da notação escrita – como a pontuação –, as restrições da norma ortográfica estão definidas basicamente no nível da palavra. Isso faz com que o ensino da ortografia possa desenvolver-se por meio tanto de atividades que tenham o texto como fonte de reflexão como de atividades que tenham palavras não necessariamente vinculadas a um texto específico". (BRASIL, 1997, p. 36)

Conclusão

Muitas práticas reduzem o ato de escrever à associação de letras a sons, estimulando a fixação de normas ortográficas sem processo de reflexão que discuta as razões que levam a grafar uma palavra de uma determinada forma e não de outra. Considerando a escrita como espelho da fala, o ensino artificializa a oralidade, negando a existência de convenções presentes no sistema de escrita da Língua Portuguesa. A orientação do ensino da língua escrita não está estritamente vinculada às leis da fala, mas às leis que dizem respeito ao código escrito. A compreensão das leis do código escrito pode ser estimulada se o professor propuser atividades em que as crianças venham a refletir sobre o conjunto de arbitrariedades produzidas pelos gramáticos para padronizar a escrita que conhecemos nos dias de hoje.

Resumo

Tradicionalmente, o ensino da ortografia no espaço escolar vincula-se à classificação de palavras em: encontros vocálicos, encontros consonantais e a separação de sílabas. Os principais recursos para ensinar as crianças a escrever são a cópia e o ditado de palavras de forma mecânica. Pesquisas recentes demonstram que tais atividades não ajudam as crianças a superarem suas dificuldades. Muitos alunos omitem e acrescentam letras indevidamente, tal falta está relacionada ao apoio na oralidade para grafar as palavras e o modo artificial que a escola desenvolve para ensinar a ler e a escrever. Partindo do princípio que é mais fácil ensinar padrões silábicos simples, consoante-vogal (CV), a escola reduz a escrita a mecanismos de silabação. Para ensinar a escrever, é preciso ir além das partes, visto que o sistema de escrita é resultante de um conjunto de relações marcado por regularidades e irregularidades. É no processo de reflexão e ação sobre as arbitrariedades produzidas no sistema que o aluno se apropria e internaliza as regras do sistema ortográfico.

Atividade Final

a) As propostas de ensino da escrita na escola devem tomar como referência as palavras no interior do texto. Nesse contexto, o professor poderá enfocar as dificuldades ortográficas, promovendo uma ampla reflexão sobre as regularidades e irregularidades existentes no sistema gráfico com atividades desafiadoras e instigantes.

Resposta Comentada

Você encontrará muitas propostas voltadas para a reflexão da escrita. Como não podemos esgotar a questão do ensino da linguagem escrita na escola nesta unidade, destacamos alguns procedimentos que favorecem o aprendizado da ortografia.

• Discutir sobre as diferenças dialetais e a eleição de uma variedade padrão que serve como referência para a escrita.

• Não corrigir tudo de maneira aleatória. É importante a seleção de um tipo de erro para ser enfocado e comentado de uma forma mais aprofundada. O aluno terá mais tempo para perceber os motivos que distanciam da forma gráfica convencional.

• Não encarar o erro de forma espalhafatosa, corrigindo o aluno rispidamente. Todo erro deve ser visto como uma tentativa de aproximação da forma gráfica correta.

• Planejar atividades que favoreçam a observação de determinados aspectos da ortografia de forma lúdica, preferencialmente atividades que levem o sujeito a descobertas de regras.

• Construir regras com os alunos, a partir de uma situação proposta para turma solucionar.

• Listar no quadro negro os erros mais freqüentes para serem analisados e discutidos.

• Focalizar segmentos das palavras a fim de o aluno compreender e perceber as regularidades existentes no sistema de escrita.

• Estímular o uso de dicionário como material de consulta. O aluno poderá tirar suas dúvidas ortográficas de uma forma mais autônoma.

Outros aspectos poderão ser ressaltados por você. O ato pedagógico tem uma dimensão criativa, portanto, não se restringe somente aos aspectos aqui levantados. Reflita e troque idéias a respeito do assunto com os colegas de curso.

GRADE DE CONTEÚDOS/TÓPICOS ESPECÍFICOS

TURMA: 2º ANO

Ø Esta grade de conteúdos ortográficos é um trabalho que deverá ser feito respeitando as peculariedades e o desenvolvimento de cada turma. Pode acontecer de uma turma automatizar essas dificuldades mais rápido e, sendo assim, outras dificuldades previstas para os próximos bimestres, poderão ser trabalhadas, antecipadamente e vice-versa.

Ø Material de referência:

- Livro construindo a Escrita Gramática e ortográfica/ Carmen Silva Carvalho.

- Descobrindo a gramática – Gilio Giacomozzi.

- Porta aberta – Isabella Carpaneda.

 

TURMA: 3º ANO

Ø Esta grade de conteúdos ortográficos é um trabalho que deverá ser feito respeitando as peculariedades e o desenvolvimento de cada turma. Pode acontecer de uma turma automatizar essas dificuldades mais rápido e, sendo assim, outras dificuldades previstas para os próximos bimestres, poderão ser trabalhadas, antecipadamente e vice-versa.

Ø Material de referência:

- Livro construindo a Escrita Gramática e ortográfica/ Carmen Silva Carvalho.

- Descobrindo a gramática – Gilio Giacomozzi.

- Porta aberta – Isabella Carpaneda.

 

TURMA: 4º ANO

Ø Esta grade de conteúdos ortográficos é um trabalho que deverá ser feito respeitando as peculariedades e o desenvolvimento de cada turma. Pode acontecer de uma turma automatizar essas dificuldades mais rápido e, sendo assim, outras dificuldades previstas para os próximos bimestres, poderão ser trabalhadas, antecipadamente e vice-versa.

Ø Material de referência:

- Livro construindo a Escrita Gramática e ortográfica/ Carmen Silva Carvalho.

- Descobrindo a gramática – Gilio Giacomozzi.

- Porta aberta – Isabella Carpaneda.

 

TURMA: 4ª SÉRIE

Ø Esta grade de conteúdos ortográficos é um trabalho que deverá ser feito respeitando as peculariedades e o desenvolvimento de cada turma. Pode acontecer de uma turma automatizar essas dificuldades mais rápido e, sendo assim, outras dificuldades previstas para os próximos bimestres, poderão ser trabalhadas, antecipadamente e vice-versa.

Ø Material de referência:

- Livro construindo a Escrita Gramática e ortográfica/ Carmen Silva Carvalho.

- Descobrindo a gramática – Gilio Giacomozzi.

- Porta aberta – Isabella Carpaneda.

 

PARONIMO

ACENDER: iluminar, por fogo em;
ASCENDER: subir, elevar (daí: ASCENSÃO, ASCENSORISTA, ASCENDENTE).

ACENTO: inflexão da voz, sinal gráfico;
ASSENTO: lugar onde se assenta.

ACIDENTE: ocorrência casual grave;
INCIDENTE: episódio casual sem gravidade, sem importância.

ACESSÓRIO: aquilo que não é essencial;
ASSESSÓRIO: relativo ao assessor.

AFERIR: conferir, comparar ("Os fiscais vão aferir os preços de cinco
       supermercados.");
AUFERIR: colher, obter ("O rapaz não auferiu bons resultados no
         concurso para médico").

AMORAL: ausência de moral, que ignora um conjunto de princípios;
IMORAL: Que é contrário, que desobedece a um conjunto de princípios.

ANTE: preposição que significa ESTAR DIANTE, ESTAR NA PRESENÇA DE;
ANTI: prefixo que significa AÇÃO CONTRÁRIA.

ANTICÉ(P)TICO: oposto aos céticos;
ANTISSÉ(p)TICO: desinfetante.

APREÇAR: ajustar o preço de, atribuir valor a, ter apreço a;
APRESSAR: tornar mais rápido, acelerar.

ÁREA: dimensão, espaço;
ÁRIA: peça musical para uma só voz.

ARREAR: colocar arreios em;
ARRIAR: abaixar.

ASAR: guarnecer de asas;
AZAR: má sorte.

ASCETA: pessoa que vive em prática de devoção e penitência;
ASSETA: do verbo ASSETAR, ferir com seta.

ACÉTICO: relativo ao vinagre;
ASCÉTICO: relativo ao Ascetismo;
ASSÉPTICO: relativo à assepsia.

ATUADO: particípio do verbo atuar; exercer atividade, agir ("A seleção
       de futebol não tem atuado como o técnico quer.");
AUTUADO: particípio do verbo AUTUAR = lavrar um auto contra alguém;
         reunir em forma de processo; processar. Ser autuado significa
         fazer parte dos autos - conjunto das peças de um processo ("O
         líder do movimento dos sem-terra foi preso e autuado em fla-
         grante por desacato à autoridade.").

BOCAL: abertura de vaso, candeeiro, frasco, castiçal, etc.;
BUCAL: relativo à boca.

BROCHA: prego curto, de cabeça larga e chata;
BROXA: tipo de pincel.

BUCHO: estômago de animais;
BUXO: arbusto ornamental.

CAÇAR: perseguir, capturar a caça;
CASSAR: anular.

CAICHÃO: borbotão, fervura;
CAIXÃO: caixa grande.

CAICHOLA: cabeça;
CAIXOLA: caixa pequena.

CALDA: doce, xarope;
CAUDA: rabo de animais.

CARTUCHO: canudo de papel, de plástico, ou de metal;
CARTUXO: pertencente à Cartuxa, ordem religiosa fundada por São Bruno.

CAVALEIRO: aquele que anda a cavalo;
CAVALHEIRO:homem de boas maneiras.

CEGAR: tirar a visão de;
SEGAR: seifar, cortar.

CELA: aposento de religiosos ou de prisioneiros;
SELA: arreio de cavalo, 3ª p. s., pres. ind., v. SELAR.

CELEIRO: depósito de provisões;
SELEIRO: fabricante de selas.

CENÁRIO: decoração de teatro;
SENÁRIO: que consta de seis unidades.

CENSO: recenseamento;
SENSO: juízo claro.

CENSUAL: relativo ao censo;
SENSUAL: relativo aos sentidos.

CÉ(P)TICO: que ou quem duvida;
SÉ(P)TICO: que causa infecção.

CERRAÇÃO: nevoeiro espesso;
SERRAÇÃO: ato de serrar.

CERRAR: fechar;
SERRAR: cortar.

CERVO: veado;
SERVO: servente, escravo.

CESSAÇÃO: ato de cessar (interromper);
SESSAÇÃO: ato de sessar (peneirar).

CESTA: utensílio geralmente de palha para se guardar coisas;
SESTA: hora de descanso, normalmente após o almoço;
SEXTA: ordinal feminino de seis.

CHÁ: tipo de bebida feito com ervas;
XÁ: título de soberano na língua persa.

CHÁCARA: quinta, sítio;
XÁCARA: narrativa popular em versos.

CHALÉ: casa campestre de estilo suíço;
XALE: cobertura para os ombros.

CHEQUE: ordem de pagamento;
XEQUE: tipo de lance no jogo de xadrez.
XEIQUE: governador soberano, entre os árabes.

COCHA: gamela;
COLCHA: cobertura em tecido para cama;
COXA: parte da perna.

CICLO: período;
SICLO: moeda judaica.

CILÍCIO: cinto ou cordão de pêlo ou Lã áspera para penitências;
SILÍCIO: elemento químico.

CINTO: correia em couro para prender as calças à cintura;
SINTO: 1ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo SENTIR.

CÍRIO: vela grande de cera;
SÍRIO: relativo à Síria.

COCHO: vasilha feita com tronco de madeira escavada;
COXO: pessoa que manca.

COMPRIDO: longo;
CUMPRIDO: particípio passado do verbo CUMPRIR.

COMPRIMENTO: uma das medidas de extensão (+ largura e altura);
CUMPRIMENTO: ato de cumprimentar alguém, saudação, ou de cumprir algo.

CONCELHO: jurisdição administrativa, município;
CONSELHO: opinião, parecer, corpo coletivo superior, tribunal.

CONCERTO: apresentação ou obra musical, entrar em acordo (do verbo
         CONCERTAR (1);
CONSERTO: ato ou efeito de CONSERTAR, reparar algo que está
         danificado.

CORINGA: tipo de vela que se coloca em algumas embarcações;
CURINGA: carta que muda de valor segundo a combinação que o parceiro tem
        em mão.

CORÇO: cabrito selvagem;
CORSO: natural da Córsega, desfile de carros ou carruagens.

COSER: costurar;
COZER: cozinhar.

DECENTE: decoroso, limpo;
DESCENTE: que desce, vazante;
DISCENTE: relativo a alunos;
DOCENTE: relativo a professores.

DECERTAR: lutar, pelejar;
DESERTAR: abandonar, fugir, renunciar;
DISSERTAR: discorrer.

DEFERIMENTO: concessão, atendimento;
DIFERIMENTO: adiamento.
            (Assim também: DEFERIR = CONCEDER; DIFERIR = ADIAR,
            DIVERGIR.)

DEGRADADO: que está aviltado, diminuído (degradação);
DEGREDADO: aquele que está no degredo, exilado.

DELATAR: denunciar (delação);
DILATAR: retardar, adiar (dilação).

DESCRIÇÃO: ato de descrever, tipo de redação, exposição;
DISCRIÇÃO: reserva ao falar, qualidade daquele que é discreto,
          prudência.

DESCRIMINAR: inocentar, absolver (DESCRIMINAÇÃO);
DISCRIMINAR: distinguir, diferenciar, separar (DISCRIMINAÇÃO).


DESMITIFICAR: fazer cessar a mitificação (A CONVERSÃO EM mito) existente
             a respeito de pessoa ou coisa;
DESMISTIFICAR: livrar ou tirar da mistificação (engano, burla, abuso
              da credulidade).

DESPENSA: compartimento para se guardar alimentos;
DISPENSA: demissão.

DESTORCER: endireitar, desfazer a torcedura;
DISTORCER: desvirtuar, mudar o sentido.

dESTRATAR: insultar;
DISTRATAR: romper um trato, desfazer um contrato.
(Obs. Quando um contrato é rompido, o documento que se assina chama-se
DISTRATO.)

EMERGIR: vir à tona, subir;
IMERGIR: mergulhar, descer.

EMIGRANTE: pessoa que sai do próprio país (EMIGRAR, EMIGRAÇÃO);
IMIGRANTE: pessoa que entra num país estrangeiro (IMIGRAR, IMIGRAÇÃO).

EMINENTE: que se destaca, excelente, notável;
IMINENTE: que está prestes a ocorrer, pendente.
(Obs. Assim também: EMINÊNCIA = altura, excelência; IMINÊNCIA =
proximidade de ocorrência.)

EMITIR: expedir, emanar, enunciar, lançar fora de si;
IMITIR: fazer entrar, investir.

EMPEÇO: empecilho, impedimento, obstáculo, estorvo;
IMPEÇO: primeira pessoa do singular do verbo IMPEDIR.

EMPOÇAR: formar poça;
EMPOSSAR: dar posse a alguém.

ENFESTAR: dobrar ao meio na sua largura, exagerar (entediado _ no sul);
INFESTAR: assolar, invadir, existir em grande quantidade em.

ENFORMAR: colocar em forma, incorporar;
INFORMAR: prestar informações.

ENTENDER: compreender;
INTENDER: exercer vigilância, administrar.

ESOTÉRICO: diz-se do ensinamento que, em escolas filosóficas da antigui-
          dade grega, era reservado aos discípulos completamente ins-
          truídos; todo ensinamento ministrado a círculo restrito e
          fechado de ouvintes; compreensível apenas por poucos, obscuro,
          hermético."
EXOTÉRICO: diz-se de ensinamento que, em escolas da antiguidade grega,
          era transmitido ao público sem restrição, dado o interesse
          generalizado que suscitava e a forma acessível em que podia
          ser exposto por se tratar de ensinamento dialético, provável,
          verossímil.

ESBAFORIDO: ofegante, com a respiração entrecortada pelo cansaço ou
           pela pressa;
ESPAVORIDO: cheio de pavor, apavorado;

ESPECTADOR: aquele que vê, que assiste a alguma coisa;
EXPECTADOR: o que está na expectativa de, à espera de algo.

ESPERTO: ardiloso, malicioso, sagaz;
EXPERTO: experiente, especialista, perito.

ESPIAR: espreitar, olhar;
EXPIAR: redimir-se, pagar uma culpa.

ESPIRAR: soprar, respirar, estar vivo;
EXPIRAR: expelir o ar, morrer.

ESPRIMIDO: particípio do verbo ESPREMER;
EXPRIMIDO: particípio do verbo EXPRIMIR (também EXPRESSO).

ESTADA: ato de estar, permanência, demora transitória de pessoas em
       algum lugar;
ESTADIA: prazo concedido de carga ou descarga de um navio em um
        porto. Também é o prazo que se dá a veículos em um estaciona-
        mento ou garagem.

ESTÂNCIA: lugar onde se está ou permanece, morada, paragem, estabeleci-
         mento rural, estação de águas minerais;
INSTÂNCIA: qualidade do que é instante, pedido urgente e repetido,
          jurisdição, série de atos de um processo, ordem ou grau da
          hierarquia judiciária.

ESTÁTICO: estar parado (como uma estátua);
EXTÁTICO: estar em estado de êxtase.

ESTERNO: osso do peito;
EXTERNO: exterior;
HESTERNO: relativo ao dia de ontem.

ESTRATO: tipo de nuvem, camada (estrato social; sociedade estratifi-
        cada = dividida em camadas; estratosfera, etc.)
EXTRATO: o que foi extraído de algo (v. EXTRAIR), fragmento, resumo,
        sumo (extrato bancário, extrato de tomate), essência
        (= perfume).

FLAGRANTE: evidente, fato que se observa no momento em que ocorre;
FRAGRANTE: que exala cheiro agradável, aromático (fragrância).

FLUIR: correr (líquido), passar (tempo);
FRUIR: desfrutar, gozar.

FUZIL: arma de fogo;
FUSÍVEL: condutor elétrico.

GRAÇA: favor dispensado ou recebido, benefício, dádiva, benevolência,
      elegância de estilo, dito ou ato espirituoso ou engraçado, nome
      de batismo, favor ou mercê concedida por Deus a uma pessoa, etc.;
GRASSA: do verbo grassar - desenvolver-se, alastrar-se, propagar-se
       progressivamente, difundir-se.

INCERTO: relativo à incerteza, duvidoso;
INSERTO: inserido, incluído.

INCIPIENTE: iniciante, inexperiente;
INSIPIENTE: ignorante.

INDEFESO: sem defesa;
INDEFESSO: incansável;
INFENSO: adverso, contrário.

INFLAÇÃO: ato de inflar, aumento de preços;
INFRAÇÃO: desobediência, violação, transgressão.

INFLIGIR: aplicar ou determinar uma punição, um castigo;
INFRINGIR: desobedecer, violar, transgredir.

INQUERIR: apertar com cordas a carga de animais;
INQUIRIR: interrogar, investigar.

INTEMERATO: aquele que é casto, puro, incorruptível;
INTIMORATO: que é valente, destemido.

INTENÇÃO (TENÇÃO): propósito, finalidade;
INTENSÃO (TENSÃO): intensidade, esforço.

INTERCESSÃO: ato de interceder, interferência, intervenção, súplica;
INTERSE(C)ÇÃO: ponto em que duas linhas se cruzam, parte comum a
              dois conjuntos.

LACTANTE: quem produz o leite, mulher que amamenta (a mãe);
LACTENTE: quem recebe o leite, ser que mama (a criança).

LAÇO: laçada;
LASSO: frouxo, cansado, "dissoluto".

LENIMENTO: suavizante;
LINIMENTO: medicamento para fricções.

LUCHAR: sujar;
LUXAR: deslocar, desconjuntar.

LUSTRE: brilho e, figuradamente, candelabro;
LUSTRO: espaço de 5 anos.

MAL: como um advérbio, isto é, modificando uma ação verbal, este termo
    deve ser grafado com L.
    Exemplo: Aquele cantor canta mal. (contrário de BEM)
    Também grafamos com L Quando esta palavra se apresenta como
    substantivo ou como conjunção subordinativa temporal.
    Exemplos: "O mal da humanidade é o seu grande egoísmo."
    (sinônimo de doença, problema)
    "Mal ele entrou em casa, a luz apagou."
    (igual a "assim que, no momento em que")

MAU: sendo grafado com U, este termo é um adjetivo.
    Exemplo: Aquele menino era muito mau.
    (contrário de bom; feminino: má)

MANDADO: ordem emanada de autoridade judicial ou administrativa;
MANDATO: período de missão política.

MAS (conjunção): sinônimo de porém, todavia, contudo;
   Exemplo: Ele é inteligente, mas desajeitado.
MAIS: pronome indefinido ou advérbio de intensidade (contrário de
     menos).
     Exemplos: Ana precisa ter mais confiança em si mesma.
               (sinônimo imperfeito de "muita confiança"; pronome
               modificando o substantivo)
               Pedro é mais inteligente que Paulo.
               (contrário de menos; advérbio modificando o adjetivo)

MAÇA: clava;
MASSA: pasta, composição, substância, multidão.

MAÇUDO: indigesto, monótono;
MASSUDO: volumoso.

MEAR: dividir ao meio;
MIAR: dar mios (voz dos gatos).

MECHA: pavio, estopim, tufo de cabelo, dreno;
MEXA: forma verbal de MEXER.

MOÇA: mulher jovem, virgem, fem. de moço;
MOSSA: vestígio de uma pancada ou pressão forte, entalho, abalo ou
      impressão moral.

NORMALIZAR: tornar normal, regularizar, padronizar, fazer voltar à
           normalidade, submeter à norma;
NORMATIZAR: estabelecer normas para, submeter a normas (neologismo já
           devidamente registrado).

Observações: Muitas empresas utilizam o verbo "normalizar" no sentido de "tornar normal" e de "estabelecer normas". A maioria, entretanto, prefere estabelecer a diferença acima.


   Lembre-se de que existe o adjetivo "normativo", palavra de origem francesa, cujo significado é "que tem a qualidade ou força de norma".


PAÇO: palácio;
PASSO: passada.

PEÃO: trabalhador rural, peça do jogo de xadrez, amansador de cavalos,
     tocador de boiada (a palavra vem do latim e significa "pedestre",
     ou seja, aquele que anda a pé. Em Portugal, a palavra aparece em
     placas que advertem os motoristas, para que tomem cuidado com
     peões, ou seja, com os pedestres.;)

PIÃO: espécie de brinquedo.

POÇA (com a pronúncia fechada "pôça", substantivo): cova pouco profunda
    contendo água ou outro líquido qualquer;
POSSA (com a pronúncia aberta "póssa"): primeira e segunda pessoas do
     singular do Presente do Subjuntivo do verbo PODER.

POCEIRO: homem que cava poços;
POSSEIRO: aquele que se encontra na posse clandestina ou ilegítima de
         certa área de terras particulares ou devolutas, com a intenção
         de dono.

POÇO (com a pronúncia fechada "pôço", substantivo): cavidade no solo que
    contém água, cisterna;
POSSO (com a pronúncia aberta "pósso"): primeira pessoa do singular do
     presente do indicativo do verbo PODER.

PONCHE: bebida que leva frutas picadas;
PONCHO: tipo de capa quadrangular, com uma abertura no meio, por
       onde se enfia a cabeça.

PLEITO: disputa;
PREITO: homenagem.

PREEMINENTE: nobre, distinto, que ocupa lugar mais elevado;
PROEMINENTE: alto, saliente, que se alteia acima do que o circunda.

PRENUNCIAR: anunciar com antecedência;
PRONUNCIAR: exprimir verbalmente, articular as palavras.

PREFERIR: querer ou gostar mais, ter preferência por;
         (Particípio Passado = PREFERIDO)
PRETERIR: não dar importância a, omitir.
         (Particípio Passado = PRETERIDO)
PROFERIR: dizer, enunciar, pronunciar, decretar.

PREPOR: colocar antes, antepor;
PROPOR: submeter à apreciação.

PRESCREVER: receitar ou perder a validade ("O médico prescreveu este
           remédio"; "O prazo já prescreveu");
PROSCREVER: banir, expulsar ("Ele foi proscrito da cidade.").

PRESAR: prender, apreender;
PREZAR: ter em consideração.

QUERELA: discussão, pendência;
QUIRELA (ou QUIRERA): milho quebrado que se dá às aves,
        também em relação ao arroz ou outros cereais.

RATIFICAR: confirmar, corroborar;
RETIFICAR: alterar, corrigir.

REBOLIÇO: que tem forma de rebolo, que rebola;
REBULIÇO: bagunça, grande barulho, agitação, desordem, confusão.

RECREAR: divertir, brincar (RECREAÇÃO);
RECRIAR: criar de novo (RECRIAÇÃO).

REVEZAR: substituir alternadamente;
REVISAR: rever.

RINGUE: tablado onde se realizam lutas de boxe e outras;
RINQUE: pista de patinação.

RUÇO: grisalho, desbotado (gíria: "difícil");
RUSSO: relativo à Rússia.

SEÇÃO (ou SECÇÃO): parte, divisão, departamento, ato de seccionar;
SESSÃO: espaço de tempo, programa;
CESSÃO: doação, ato de ceder.

SOLTO: livre, desatado, desprendido, Largo, folgado; SOUTO: bosque espesso (Var.: soito)

SOAR: emitir determinado som;
SUAR: transpirar.

SORTIR: abastecer, prover;
SURTIR: ter como conseqüência, produzir, alcançar efeito.

SUBENTENDER: perceber, entender o que não estava exposto ou bem
            explicado;
SUBTENDER: estender por baixo.

TACHA: pequeno prego; ou mancha, defeito moral; ou tacho grande;
TAXA: imposto, tributo financeiro.
     (OBs. Taxativo = que taxa, que limita, restritivo, definitivo.
     No entanto, não há registro em nossos dicionários da palavra
     "tachativo".)
     Exemplo: O presidente foi taxativo ao afirmar que não aprovaria
     aquele projeto de lei.

TACHAR(2): censurar, acusar, botar defeito em ;
TAXAR: estabelecer um preço, um imposto, tributar.

TENÇÃO: propósito, rixa, má vontade; TENSÃO: voltagem, rigidez do tecido muscular.
TESÃO (s. m. e f.): desejo sexual.

TRÁFEGO: movimento, trânsito de veículos ou de pedestres;
TRÁFICO: comércio ilegal, negócio indecoroso.

TRÁS: parte posterior;
TRAZ: forma do verbo TRAZER.

VADEAR: passar a vau, isto é, passar por lugar pouco fundo de um rio
       ou do mar, a pé ou a cavalo;
VADIAR: levar vida ociosa, andar à toa.

VENOSO: relativo a veias;
VINOSO: que produz vinho.

VÊS: segunda pessoa do singular do presente do indicativo do verbo VER;
VEZ: ocasião.

VESTIÁRIO: local para trocar de roupa em clubes, colégios, etc.;
VESTUÁRIO: é o traje, a indumentária, as roupas que usamos.

VIAGEM (= substantivo): "Fiz uma viagem inesquecível", "Boa Viagem!";
VIAJEM (forma verbal): terceira pessoa do plural do presente do
      subjuntivo do verbo VIAJAR.
      Exemplo: "Por favor, viajem amanhã, hoje já está muito tarde."

VULTOSO: de grande vulto, nobre, volumoso;
VULTUOSO: atacado de vultuosidade (estado mórbido em que a face e os
         lábios se incham e avermelham muito).

USUÁRIO: o que desfruta o direito de usar alguma coisa;
USURÁRIO: o que pratica a usura ou agiotagem.

HOMONIMOS

6. ALISAR ou ALIZAR
Alisar = tornar liso:
Ela pretende alisar o cabelo.
Alizar = guarnição de portas e janelas:
Só falta pintar os alizares das portas.

7. AMORAL ou IMORAL
Amoral = indiferente à moral:
A ciência é amoral.
Imoral = contrário à moral:
A pornografia é imoral.

8. APRENDER ou APREENDER
Aprender = instruir-se, adquirir conhecimento:
Ele aprendeu tudo que ensinaram.
Apreender = tomar, prender, assimilar:
O guarda apreendeu as peças encontradas.

9. ÁREA ou ÁRIA
Área = espaço:
A área estava repleta de pessoas.
Ária = peça musical:
Ouvimos uma bela ária no Teatro Municipal.

10. ARREAR ou ARRIAR
Arrear = pôr arreios:
Vou arrear o seu cavalo.
Arriar = baixar, fazer descer:
Faça o favor de arriar a cortina.

11. ASSOAR ou ASSUAR
Assoar = limpar o nariz:
Ele assoava o nariz seguidamente.
Assuar = vaiar, apupar:
A torcida assuava o juiz durante o jogo.

12. ATUAR ou AUTUAR
Atuar = agir, exercer influência:
Ele atuou condignamente neste caso.
Autuar = processar, reunir em processo:
O réu foi autuado em casa.

13. BOCAL OU BUCAL
Bocal = abertura, embocadura:
Colocou a lâmpada no bocal.
Bucal = relativo à boca:
Ele está com problemas bucais.

14. BROCHA ou BROXA
Brocha = prego:
Fixou a moldura com pequenas brochas.
Broxa = pincel:
Pintou a parede com uma broxa nova.

15. BUCHO ou BUXO
Bucho = estômago de animais:
Bom é mocotó feito com bucho.
Buxo = arbusto ornamental:
Vou podar os buxos do jardim.